• crisnacaroline

"Cidades Afundam em Dias Normais" mostra um Brasil que pouco vemos na literatura (Resenha)

Sabe aqueles livros que você termina e não sabe bem por onde começar a falar a respeito, você só quer colocar na mão das pessoas e dizer “LEIA!”?


É a famosa panfletagem, e é isso que eu estou aqui para fazer.



“Cidades Afundam em Dias Normais” é um romance escrito pela autora brasileira Aline Valek. Já começa diferente no título, que, diga-se de passagem, foi o que me atraiu nele, aí vem essa premissa: Alto do Oeste é um cidadezinha no interior de Goiás, no meio do cerrado, que foi engolida por um lago, não de uma vez, mas aos poucos, até ficar praticamente toda submersa. Dezesseis anos depois, a cidade começa a emergir de novo das águas, vira notícia e atrai não apenas turistas, mas também antigos moradores, muitos dos quais têm assuntos inacabados com ela e com suas antigas memórias.


Dentre esses moradores está Kênia, uma fotógrafa que retorna junto a um amigo jornalista para registrar o ocorrido, mas acaba descobrindo que a visita pode lhe ajudar a exorcizar seus fantasmas do passado, e que, olhando um pouco mais de perto, há muito mais sobre a história de Alto do Oeste do que apenas as circunstâncias fantásticas de seu desaparecimento.


Uma das coisas mais incríveis ao ler uma história que se passa no Brasil é justamente poder sentir identificação com a narrativa, e Cidades Afundam ainda vai um pouco mais longe, pois nos dá um vislumbre de uma realidade que não aparece com tanta frequência nas narrativas de autores brasileiros.


Eu nunca pisei no Centro-Oeste, mas não é preciso para sentir uma ligação com a história. Aline conseguiu colocar uma lupa em diversas situações que são tão comuns na vida de diversos jovens brasileiros, principalmente em cidades pequenas e cidades de interior. Eu passei minha adolescência em uma, e só isso já foi suficiente para me sentir parte da história.


A narrativa se divide entre o presente e o passado, este, em vários momentos, através do diário de Tainara, uma ex-colega de sala de Kênia, mas nunca de forma ordenada, entregando pedaços de fatos que, aos poucos, vão se complementando. A obra é bastante reflexiva e não é do tipo que entrega todas as respostas, mas não deixe que isso te desanime a ler!


Entrou para o hall dos favoritos desse ano!


Se quer conhecer mais sobre a Aline Valek, recomendo a mini resenha que fiz da antologia de contos e crônicas “Bobagens Imperdíveis para Atravessar o Isolamento”.