• crisnacaroline

Realmente, "1984" é atual até demais (Resenha)

Atualizado: Mai 25

Um clássico das distopias, "1984" é um dos livros mais comentados do ano. Por quê?

A resposta é mais simples do que parece: em 2020, a morte de seu autor, George Orwell, completou 70 anos, fazendo com que, em 1º de janeiro de 2021, suas obras entrassem em domínio público. Por esse motivo, várias editoras aproveitaram para publicar novas edições.



Por mais que às vezes tenha sido meio cansativo e tenha virado até piada (“Oh, minha nossa! Outra edição!” “Ah, é que ainda não tem o suficiente!”), é preciso admitir que “1984” é o tipo de livro que precisa ser lido por todo mundo, então que bom que estamos falando muito sobre ele.


Lá no Quem te viu, quem te leu, nós não perdemos tempo e incluímos na nossa lista. Lemos, assistimos a adaptação e debatemos a obra mais famosa de George Orwell.


Na narrativa, temos um mundo distópico com um governo totalitário (de um lugar chamado Oceania, do qual faz parte o atual território da Inglaterra, onde a história se passa), e o personagem principal, Winston, é um homem socialmente conformado e mentalmente rebelde. Mas como é possível sobreviver com uma mente questionadora, se o Partido alega conhecer até mesmo os seus pensamentos? É quando ele conhece a jovem Julia que esses pensamentos ameaçam finalmente se transformarem em ações. Ela é, aliás, minha única decepção com a obra, pois aparece como uma personagem promissora no início, mas aos pouco se apaga.


A atualidade das questões abordadas é inquestionável. Alguns dos elementos mais marcantes são o uso da linguagem como forma de dominação, o controle através do monitoramento constante e a reescrita da História de acordo com os interesses de quem está no poder, que foram muito bem trabalhados e estão na base do que conceitua o adjetivo “orwelliano”. IngSoc, Novilingua, Duplipensar e Teletela são alguns dos termos criados pelo autor para definir aspectos do regime.


Eu me peguei visualizando o momento atual que estamos passando enquanto lia, e nem sempre foi fácil digerir a leitura. Porém considero que foi muito importante para desenvolver cada vez mais minha consciência política. Ao contrário do que muito se prega, Orwell não escreveu a obra por ser contrário ao socialismo. Ele próprio era socialista, e escreveu uma carta na qual deixava bem que claro seu objetivo com a obra era mostrar os riscos do totalitarismo. Porém, ele não negava a existência de governos totalitários socialistas/comunistas, e era bastante crítico dos rumos tomados pelo Stalinismo.


Eu me lembro de ter escrito algo parecido na época que fiz minha resenha sobre “A Revolução dos Bichos”, mas talvez a lição mais importante que tirei da leitura de George Orwell foi aprender a ter uma postura crítica em relação à política, inclusive direcionada àqueles que alegam defender as ideologias nas quais acredito. Este é um aprendizado que serve e deve ser seguido por todes, não importa em qual ponto do espectro político se posicione.


A adaptação, dirigida por Michael Redford e lançada no ano que dá nome à obra, é bastante fiel ao original, embora ambos tenham algumas cenas de violência que podem ser consideradas fortes.


Uma observação importante sobre essa edição da Editora Antofágica é que ela é toda ilustrada de forma que funciona como uma intervenção que complementa o conteúdo. A experiência é realmente única.


Ficou interessade em participar do Quem te viu, quem te leu? É só passar lá no meu perfil do Instagram, o link para o grupo de Whatsapp está na minha bio, e em breve liberaremos a nova lista de leituras!